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Alta de temperaturas e El Niño aumentam possibilidade de granizo em MG
por CaféPoint:
Por Williams Ferreira, pesquisador da Embrapa/Epamig na área de Agrometeorologia e Climatologia. williams.ferreira@epamig.br
Na atualidade os modelos climáticos dos principais centros de previsão climática internacionais apontam mais de 90% de chance de que o fenômeno El Niño continue ao longo do verão e mais de 85% de chance de que irá alcançar a outono de 2016, ou seja, deverá permanecer pelo menos até abril do próximo ano (Figura 1).
Figura 1 – Previsão para permanência do El Niño até o trimestre março a maio de 2016. A linha preta pontilhada representa o valor médio da previsão de diferentes modelos.
Desde abril desse ano as anomalias positivas, ou seja, o aumento na temperatura da superfície, têm se intensificado na porção central e leste da região equatorial do Oceano Pacífico. A partir das últimas semanas de julho as temperaturas chegaram a ficar acima da média (Figura 2), sendo que no final da semana passada a anomalia chegou a alcançar 2,1oC (Figura 3).
Figura 2 – Valores médios de anomalias na temperatura da superfície do oceano entre 26 de julho a 22 de agosto de 2015.
Figura 3 – Desvio de temperatura entre 9 e 22 de agosto de 2015.
A atual condição que ratifica a ocorrência do fenômeno El Niño é também representada pelo ‘Índice Oceânico de El Niño’ (ONI, sigla em inglês) que é apresentado na Tabela 1. Esse índice revela os trimestres quentes (marcados pela cor vermelha) e os trimestres frios (marcados pela cor azul), definidos quando os valores de ONI ocorrem com anomalias de temperaturas de ±0,5oC após uma sequência de três meses consecutivos. Essas anomalias são identificadas e registradas principalmente na região denominada ?Niño 3,4? a qual é definida entre as latitudes de 5o N e 5o S e longitude entre 120o e 170o W (Figura 4). Considerando o histórico de ocorrência de períodos com anomalias positivas (temperaturas acima da superfície do oceano da média) ou negativas (temperaturas da superfície do oceano abaixo da média) os trimestres são coloridos respectivamente em vermelho ou azul quando esses limites são alcançados por no mínimo cinco estações (trimestres) consecutivas, o que deve ocorrer ao final do trimestre junho a agosto.
Tabela 1 – Histórico da ocorrência dos episódios de El Niño e La Niña baseados no Índice de El Niño realizado pelo NOAA (Administração Nacional Atmosférica e Oceânica dos Estados Unidos).
Figura 4 – Regiões de ocorrência de anomalias da temperatura da superfície do oceano. Em amarelo (região 4), em amarelo e vermelho (região 3,4) e em vermelho (região 4).
Considerando que há 70% de probabilidade de que a temperatura para todo o Brasil fique acima da média normal para o período no próximo trimestre, com exceção das regiões sul e oeste do Rio Grande do Sul onde a probabilidade é de apenas 50%, os brasileiros deverão enfrentar uma primavera ‘quente’. Todavia, tal condição, na atualidade, não deve ser confundida como um indicativo de que o próximo verão apresentará grandes anomalias positivas, ou seja, que será um verão extremamente quente, com temperaturas acima da média do período.
Apesar de os modelos dos centros de previsão climática nacionais e internacionais indicarem que o próximo trimestre deverá apresentar temperaturas acima da média para todo o Brasil, no mês de setembro os estados do Acre, Rondônia e Mato Grosso do Sul, a porção sul e oeste do Mato Grosso, a porção oeste de São Paulo e do Paraná poderão apresentar anomalias negativas de temperatura, ou seja, as temperaturas nesses estados poderão ficar abaixo do valor médio normal esperado para o mês, principalmente no estado do Mato Grosso do Sul.
Considerando a ocorrência do fenômeno El Niño nessa época do ano e as temperaturas elevadas já no mês de setembro, bem como o início da estação da primavera que deverá ocorrer também ao final de setembro, poderá já no início desse mês ocorrer chuvas intensas isoladas com ocorrência de granizo e ventanias principalmente na região de transição, onde ocorre o encontro das massas de ar frias, provenientes do Sul do continente, com as massas de ar quente provenientes da região equatorial, as quais costumam ficar estacionadas na região central e em parte da região Sudeste do Brasil.
Para Minas Gerais, já no início de setembro aumenta a probabilidade de ocorrência de chuvas isoladas com granizo, principalmente nas regiões de Araxá e Patos de Minas, ambas no Triângulo Mineiro, em todo o Sul de Minas, na região de Sete Lagoas, Pará de Minas e Belo Horizonte, localizadas na região Metropolitana de Belo Horizonte e na região de Juiz de Fora na Zona da Mata Mineira.
Diante do atual cenário climático os produtores dessas regiões devem ficar atentos para as previsões meteorológicas (previsões de curto espaço de tempo) visando tomar as devidas precauções para programar o manejo das suas lavouras, buscando acima de tudo evitar prejuízos inerentes a ocorrência de eventos climáticos extremos.
A análise e o prognóstico climático, aqui apresentados, foram elaborados com base na estatística e no histórico da ocorrência de fenômenos climáticos globais, principalmente daqueles atuantes na América do Sul. Foram consideradas ainda as informações disponibilizadas livremente pelo NOAA; Instituto Internacional de Pesquisas sobre Clima e Sociedade – IRI; Met Office Hadley Centre; Centro Europeu de Previsão de Tempo de Médio Prazo – ECMWF; Boletim Climático da Amazônia elaborado pela Divisão de Meteorologia (DIVMET) do Sistema de Proteção da Amazônia (SIPAM) e com base nos dados climáticos disponibilizados pelo INMET/CPTEC-INPE. Pelo fato do prognóstico climático fazer referência a fenômenos da natureza que apresentam características caóticas e são passíveis de mudanças drásticas, a EPAMIG e a Embrapa Café não se responsabilizam por qualquer dano e, ou, prejuízo que o usuário possa sofrer, ou vir a causar a terceiros, pelo uso indevido das informações contidas na presente matéria. Sendo de total responsabilidade do usuário (leitor) o uso das informações aqui disponibilizadas.
*Segundo o pesquisador Williams Ferreira, os gráficos são gerados pelo “Climate Prediction Center / NCEP” do NOAA que é o centro de administração do Oceano e da Antmosfera dos EUA. . – para todo o mundo. A análise para a nossa região é que é feita pela Epamig.
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