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Balanço Semanal CNC — 11 a 15/Janeiro

por Silas Brasileiro / Presidente Executivo do CNC:

— Safra 2016 de café do Brasil deverá se situar entre 47 milhões e 50 milhões de sacas se o clima permanecer dentro da normalidade.

SAFRA 2016 — Nesta semana, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou sua primeira estimativa à safra 2016 de café no Brasil, na qual apontou a colheita de 49.740.550 sacas de 60 kg (2.984.433 toneladas), volume que vem ao encontro da expectativa inicial do CNC para este ano, que é de 47 milhões a 50 milhões de sacas.

Do volume total projetado pelo IBGE, 38,3 milhões de sacas (2.300.186 toneladas) são referentes à variedade arábica, que deverá apresentar recuperação de 15,6% ante 2015. Para o café robusta, a entidade previu um volume de 11,4 milhões de sacas, com incremento de 3,3% frente ao ano passado.

Nossa primeira perspectiva de safra foi traçada após visitas a algumas regiões produtoras e contatos com nossos associados e se embasa no fato de as condições climáticas terem sido favoráveis desde o fim do ano passado para o desenvolvimento das lavouras, diferente dos veranicos e estiagens registrados em 2014 e 2015, o que permitiu a fixação das floradas e desenvolvimento regular dos chumbinhos. Além disso, 2016 é um ano de alta dentro do ciclo bienal da cafeicultura de arábica no País.

Por outro lado, o Conselho Nacional do Café recorda que essa expectativa só se confirmará caso as condições climáticas permaneçam dentro da normalidade, pois, se voltarmos a vivenciar cenários adversos do clima, como nas duas safras anteriores, certamente veremos uma safra reduzida no Brasil.

MERCADO — As cotações futuras do café arábica operaram em um patamar inferior ao da semana passada, influenciadas pelo cenário macroeconômico internacional e pelas chuvas em grande parte das origens brasileiras.

O comportamento do mercado de commodities em geral tem sido afetado pelos indicadores de desempenho das economias da China e dos Estados Unidos e pela trajetória dos preços do petróleo. Essas variáveis têm contribuído para sustentar o dólar no âmbito externo, o que tende a impactar negativamente a formação dos preços do café.

No Brasil, o dólar comercial encerrou a sessão de ontem a R$ 3,998, com queda de 1% em relação ao fechamento da última sexta-feira. Apesar da tendência observada nos últimos dias, o real acumula uma das maiores desvalorizações ante a divisa norte-americana na comparação com as moedas de outros países exportadores de commodities. Esse fato também explica o recuo das cotações do café, em dólares.

Atentos a esse cenário, os fundos de índice não incrementaram significativamente suas posições compradas em café e os fundos de investimento elevaram o saldo líquido vendido, contribuindo para a pressão baixista na formação das cotações do Contrato C da ICE Futures US, nesta segunda semana do ano.

As chuvas dos últimos dias nas principais origens de arábica do Brasil, que criam um cenário normal para a produtividade da safra 2016/17, caso haja continuidade do clima favorável nos próximos meses, também reforçaram a tendência de baixa das cotações internacionais do café.

O quadro abaixo apresenta informações apuradas pelo Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea) sobre o desenvolvimento da safra 2016/17 do Brasil, na primeira quinzena de janeiro.

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Segundo a Somar Meteorologia, o prognóstico para o início da próxima semana é de chuvas mais intensas entre a Mogiana de São Paulo e as regiões oeste e sul de Minas Gerais, as quais se afastarão para os Estados de Goiás e Mato Grosso. Porém, as regiões produtoras do Espírito Santo, da Zona da Mata mineira e do sul da Bahia continuam sem previsão de chuva significativa nos próximos dez dias.

Na ICE Futures US, o vencimento março do Contrato C foi cotado, na quinta-feira, a US$ 1,159 por libra-peso, com queda de 310 pontos em relação ao fechamento da semana passada. As cotações do robusta, negociadas na  ICE Futures Europe, seguiram tendência similar. O vencimento março encerrou o pregão de ontem a US$ 1.438 por tonelada, com desvalorização de US$ 47 em relação ao final da semana anterior.

No mercado físico nacional, os preços do arábica foram enfraquecidos pela queda da Bolsa de Nova York, limitando as negociações. Por outro lado, em função da menor oferta, os preços do conilon não apresentaram queda significativa. Os indicadores calculados pelo Cepea para ambas as variedades foram cotados, ontem, a R$ 478,71/saca e a R$ 385,07/saca, respectivamente, com variação de -4,8% e -0,5% na comparação com o fechamento da semana anterior.

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