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Boletim Carvalhaes

por Escritório Carvalhaes:

As oscilações do real frente ao dólar se tornaram ainda mais bruscas e fortes esta semana. Ao crescente cenário de incertezas no Brasil à medida que se aproxima nossa eleição presidencial e no exterior com a escalada na guerra comercial entre os EUA e a China, veio se juntar nos últimos dias uma pressão extra com o agravamento na crise argentina. Nossos vizinhos assistiram a uma nova desvalorização de sua moeda, que levou o Banco Central argentino a subir os juros de 45% para 60% ao ano.

O sobe e desce do valor do dólar frente ao real teve seu auge ontem no decorrer da sessão quando chegou a subir 2,35% batendo em R$ 4,2144, seu segundo maior valor desde o início do Plano Real. A máxima histórica, de R$ 4,2484, aconteceu em 24 de setembro de 2015 (Valor Econômico).

Na ICE Futures US, fundos e especuladores aproveitaram a pressão sobre o real para voltar a derrubar o valor dos contratos de café. As cotações em Nova Iorque fecharam em alta na segunda-feira, mas nos demais dias da semana fecharam no negativo, acumulando no período 290 pontos de baixa, se aproximando novamente do patamar de um dólar por libra peso. Para ajudar a pressão baixista, o pano de fundo nos fundamentos é que o Brasil, maior produtor de café do mundo, está colhendo uma safra recorde. Dia após dia, como um mantra, operadores e analistas relembram esse fato ao mercado e vão consolidando a imagem de um grande excesso de produção no Brasil.

A safra é recorde, mas o volume produzido é apenas o necessário para o Brasil, que além de maior produtor é também o maior exportador e segundo maior consumidor de café do mundo, cumprir seus compromissos na exportação e no consumo interno. Em junho de 2019, quando termina o atual ano-safra, nossa safra recorde estará praticamente zerada, restando (se restar) muito pouco café para ajudar a cumprir nossos compromissos no ano-safra seguinte, quando colheremos uma safra de arábica de ciclo baixo.

Nada mais importa. Nem o fato de que os excepcionais volumes exportados pelo Brasil (também recordes) em 2014 (36 426 834 sacas), em 2015 (37 018 983 sacas) e 2016 (34 270 506 scs) terem custado ao país, responsável pela produção de um terço do café consumido no mundo, o término seus estoques de passagem pela primeira vez em sua longa história de produtor de café. De 2018 em diante dependemos da produção do ano para cumprir nossos compromissos.

No mercado físico brasileiro, a queda das cotações em Nova Iorque e o consequente baixo valor das ofertas, continuam dificultando o fechamento de um volume maior de negócios. Mesmo assim as vendas vão acontecendo por necessidade de “caixa” dos cafeicultores. Estamos no final do período de colheita, devem faltar ainda uns 5% para serem colhidos, e são significativas as despesas dos produtores.

Atestando os excelentes resultados das indústrias de café com suas grandes margens de lucro e consumo mundial em alta, mais um grupo internacional ampliou sua atuação no mercado de café. Aumentando fortemente sua aposta no ramo de café, a Coca Cola anunciou ontem a aquisição da rede britânica de café e cafeterias Costa por 3,9 bilhões de libras (US$ 5,1 bilhões), sua maior aquisição em oito anos.

Até dia 30, os embarques de agosto estavam em 2.033.421 sacas de café arábica, 434.294 sacas de café conillon, mais 200.188 sacas de café solúvel, totalizando 2.667.903 sacas embarcadas, contra 2.048.393 sacas no mesmo dia de julho. Até o mesmo dia 30, os pedidos de emissão de certificados de origem para embarque em agosto totalizavam 3.448.560 sacas, contra 2.489.170 sacas no mesmo dia do mês anterior.

A bolsa de Nova Iorque – ICE, do fechamento do dia 24 sexta-feira, até o fechamento de hoje, dia 31, caiu nos contratos para entrega em dezembro próximo 290 pontos ou US$ 3,84 (R$ 15,61) por saca. Em reais, as cotações para entrega em dezembro próximo na ICE fecharam no dia 24 a R$ 568,53 por saca, e hoje dia 31 a R$ 547,40. Hoje, sexta-feira, nos contratos para entrega em dezembro a bolsa de Nova Iorque fechou com baixa de 85 pontos.

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