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Bolsa de Nova York cai mais de 3% na semana e toca o menor nível em mais de um ano

por Notícias Agrícolas:

Os futuros do café arábica na Bolsa de Nova York (ICE Futures US) fecharam com queda de 3,45% na semana. Com isso, o vencimento mais próximo, março/16, fechou o pregão desta sexta-feira (15) abaixo de US$ 1,15 por libra-peso. Durante a sessão, o mercado chegou a tocar menor nível desde janeiro de 2014 e as cotações já acumulam queda de mais de 9%.

Os investidores no terminal norte-americano acompanharam com atenção nestes últimos dias o cenário macroeconômico, principalmente dados da China, que influenciaram no câmbio, e o desenvolvimento das lavouras nos principais países produtores do grão, Brasil, Colômbia e Vietnã. Vale lembrar que ajustes também foram realizados uma vez que na próxima segunda-feira (18) a bolsa não trabalha por conta do feriado de Martin Luther King nos Estados Unidos.

O contrato março/16 encerrou a sessão de hoje com 114,90 cents/lb, o maio/16 registrou 117,15 cents/lb, ambos com queda de 100 pontos. Já o contrato julho/16 teve 119,25 cents/lb com 95 pontos negativos, enquanto o vencimento setembro/16 anotou 121,10 cents/lb com desvalorização de 100 pontos.

“O mercado foi influenciado nesta semana pelo avanço do dólar, pela queda generalizada das commodities e um maior otimismo dos envolvidos em relação à produção global nesta temporada”, explica o analista de mercado da Safras & Mercado, Gil Carlos Barabach.

Após altas e baixas, acompanhando a trajetória no preço do petróleo, a queda das ações chinesas e as preocupações internas, o dólar comercial teve valorização de 0,14% na semana. A moeda estrangeira mais valorizada ante a das origens produtoras acaba dando maior competitividade às exportações da commodity, mas derruba os preços na ICE. Internamente, a moeda norte-americana fechou cotada a R$ 4,0458 na venda com avanço de 1,19%.

Além das questões macro, que tiveram papel importante na queda de hoje, as expectativas de oferta maior no mercado também repercutiram bastante entre os operadores nesta semana. As lavouras da safra 2016/17 do Brasil têm recebido bons volumes de chuva e podem ter produção maior que a dos últimos anos, com destaque para o arábica. Já a Colômbia registrou em 2015 a melhor safra da variedade dos últimos 23 anos e o Vietnã também deve ter boa colheita.

De acordo com a estimativa do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) divulgada na terça-feira (12), a colheita brasileira da safra 2016/17 pode chegar a 49,7 milhões de sacas de 60 kg, ante 44,2 milhões de sacas em 2015. Já para o CNC, a produção do País neste ano deve ficar entre 48 e 50 milhões de sacas, após três safras consecutivas de quebra.

Segundo agências internacionais, o que também acaba alimentando o otimismo dos operadores em relação à safra 2016/17 do Brasil são os dados de exportação. Em 2015, os embarques de café verde do País totalizaram 33,33 milhões de sacas de 60 kg (2 milhões de toneladas) com receita de US$ 5,55 bilhões e preço médio de US$ 2,94 mil por tonelada. O volume é recorde na série histórica e 0,5% maior que o registrado no ano passado. Os dados foram confirmados na segunda-feira (11) pela Secretaria de Comércio Exterior (Secex), do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC).

Com relação ao clima, não devem ocorrer muitas mudanças. Segundo mapas da Somar Meteorologia, uma frente fria e instabilidades tropicais no interior do Brasil causam chuva intensa entre São Paulo e o Cerrado e Sul de Minas Gerais nesta sexta-feira. No fim de semana, a chuva forte também atinge o Sul do Espírito Santo e a parte da Zona da Mata de Minas Gerais (áreas produtoras ao Sul do Rio Doce).

Mercado interno

Nas praças de comercialização do Brasil, os negócios com café seguem lentos. A alta do dólar não tem compensado a queda em Nova York e os preços recuaram ou ficaram praticamente estáveis nesta semana, diminuindo bastante a liquidez do mercado.

O tipo cereja descascado teve maior valor de negociação hoje na cidade de Guaxupé (MG) com saca cotada a R$ 547,00 – estável. A maior oscilação no dia dentre as praças ocorreu em Poços de Caldas (MG) com baixa de 0,97% e saca cotada a R$ 513,00.

Da sexta-feira passada para hoje, a cidade que registrou maior variação para o tipo foi Guaxupé (MG) com queda de R$ 23,00 (-4,04%), saindo de R$ 570,00 para R$ 547,00 a saca.

O tipo 4/5 também teve maior valor de negociação em Guaxupé (MG) com R$ 549,00 a saca – estável. A maior variação no dia dentre as praças ocorreu em Poços de Caldas (MG) com valorização de 0,41% e saca cotada a R$ 489,00.

Para o tipo, conforme o gráfico, a maior oscilação na semana foi registrada em Poços de Caldas (MG) que tinha saca cotada a R$ 513,00, mas caiu R$ 24,00 (-4,68%) e agora vale R$ 489,00.

O tipo 6 duro teve maior valor de negociação na cidade de Varginha (MG) com R$ 510,00 a saca – estável. A maior oscilação no dia ocorreu em Poços de Caldas (MG) com avanço de 1,91% e saca cotada a R$ 481,00.

A variação mais expressiva de preço na semana para o tipo 6 foi registrada em Varginha (MG), por lá a saca estava cotada a R$ 550,00 na sexta passada, mas teve desvalorização de R$ 40,00 (-7,27%), e agora está em R$ 510,00.

Na quinta-feira (14), o Indicador CEPEA/ESALQ do arábica tipo 6, bebida dura para melhor, teve a saca de 60 kg cotada a R$ 478,71 com queda de 2,37%.

Bolsa de Londres

As cotações do café robusta na Bolsa de Londres (ICE Futures Europe), antiga Liffe, reagiram nesta sexta-feira. O contrato março/16 teve US$ 1441,00 por tonelada com baixa de US$ 3, o março/16 registrou US$ 1470,00 por tonelada com queda de US$ 3, enquanto o vencimento maio/16 teve US$ 1495,00 por tonelada com desvalorização de US$ 2.

Na quinta-feira (14), o Indicador CEPEA/ESALQ do café conillon tipo 6, peneira 13 acima, teve a saca de 60 kg cotada a R$ 385,07 com queda de 1,15%.

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