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Bolsa de Nova York fecha semana com queda de mais de 2% acompanhando clima no Brasil

por Notícias Agrícolas:

Os futuros do café arábica na Bolsa de Nova York (ICE Futures US) encerram a semana com queda de mais de 2%, apesar de alta ser registrada na véspera. O mercado acompanha as condições climáticas no cinturão produtivo do Brasil, maior produtor e exportador da commodity. Na visão dos operadores, essas recentes chuvas devem melhorar as condições das lavouras para a safra 2018/19.

No mercado interno, os negócios melhoraram um pouco nos últimos dias, mas o feriado de Finados no Brasil nesta semana limitou algumas transações.

Na sessão de sexta-feira, o contrato dezembro/17 fechou cotado a 124,00 cents/lb com queda de 240 pontos, o março/18 registrou 127,50 cents/lb com recuo de 235 pontos. Já os lotes com vencimento para maio/18 encerraram o dia com 129,90 cents/lb e queda de 225 pontos e o julho/18, mais distante, caiu 225 pontos, fechando a 134,90 cents/lb. Apenas um pregão teve alta na semana.

Os operadores externos passaram toda a semana atentos às informações climáticas no Brasil. Mas, agora, estão otimistas após as preocupações nas últimas semanas com o clima. “As precipitações têm sido boas nos últimos dias e os relatos de produtores indicam que as condições para a produção melhoraram”, disse o analista da Price Futures Group, Jack Scoville.

As chuvas devem continuar no cinturão produtivo. De acordo com institutos meteorológicos, uma nova frente fria avança nos próximos dias para o Sudeste do Brasil, com previsão de chuvas no Paraná, São Paulo e Minas Gerais. Os acumulados podem passar dos 70 mm no Paraná e ficam entre 20 e 50 mm entre o sul de Minas Gerais e a Mogiana. No Espírito Santo, os acumulados podem chegar a 100 mm.

Segundo o analista de mercado da Safras & Mercado, Gil Carlos Barabach, essas informações dão maior tranquilidade ao abastecimento global. “Por enquanto, tudo dentro do planejado pela indústria mundial, que segue trabalhando da mão-para-boca, buscando alongar os seus estoques e apostando em uma grande safra brasileira em 2018”, disse. No balanço mensal, a commodity acumulou recuo de 2,3%.

Conforme relatos de produtores, que enviaram fotos e vídeos ao Notícias Agrícolas nos últimos dias, as floradas em algumas lavouras do cinturão produtivo brasileiro tiveram abortamento. As plantações não estavam resistindo e o otimismo da próxima safra, com perspectivas iniciais de produção de até 60 milhões de sacas de 60 kg, vai diminuindo entre os envolvidos.

O câmbio também acaba contribuindo para o cenário baixista do mercado. O dólar comercial avanço 1,32% nesta sexta-feira, fechando a R$ 3,3071 na venda. O maior nível desde 4 de julho. O mercado acompanhou a oscilação da moeda no exterior após dados da economia dos Estados Unidos. O dólar mais forte ante o real tende a encorajar as exportações brasileiras da commodity.

A OIC (Organização Internacional do Café) reportou nesta terça que as exportações globais de café recuaram 14,8% em setembro ante o mesmo período do ano passada, totalizando 8,34 milhões de sacas de 60 kg. Na temporada 2016/17, os embarques totais de café subiram 4,8% para 122,45 milhões de sacas. As informações são da agência de notícias Reuters.

Mercado interno

Os negócios no mercado interno do café melhoraram um pouco nos últimos dias diante de altas em algumas praças, principalmente no fim da semana passada, segundo o Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada, da Esalq/USP). No entanto, o mercado voltou a cair nas últimas sessões. Além disso, essa semana será mais curta por conta do feriado de Finados nesta quinta-feira (2).

Na B3, antiga BM&F Bovespa, o café arábica tipo 4/5 fechou a sessão desta sexta-feira com alta de mais de 1% nos principais vencimentos, com o dezembro/17 cotado a US$ 153,20 a saca de 60 kg. O mercado na bolsa brasileira acompanhou o forte avanço do grão na véspera na Bolsa de Nova York.

O tipo cereja descascado anotou maior variação na semana em Patrocínio (MG) com queda de 4,95% (-R$ 25,00) no período e saca a R$ 480,00. A cidade de Espírito Santo do Pinhal (SP) teve o maior valor de negociação dentre as praças no período com saca a R$ 500,00 – estável.

No tipo 4/5, a maior variação na semana foi registrada em Franca (SP) com valorização de 2,13% (+R$ 10,00) e saca a R$ 480,00. A cidade teve o maior valor de negociação dentre as praças verificadas no período.

O tipo 6 duro teve maior oscilação na semana em Araguari (MG) com queda de 3,16% (-R$ 15,00) e saca R$ 460,00. A cidade com maior valor de negociação dentre as praças verificadas no período foi Araguari (MG) e também Franca (SP), com estabilidade, e ambas com saca a R$ 460,00.

Na quinta-feira (2), o Indicador CEPEA/ESALQ do arábica tipo 6, bebida dura para melhor, teve a saca de 60 kg cotada a R$ 445,63 e queda de 1,23%.

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