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Com chuvas atrapalhando colheita no Brasil, Bolsa de NY encerra semana com alta acumulada de quase 5%

por Notícias Agrícolas:

Após fecharem a semana passada com leve queda, as cotações futuras do café arábica na Bolsa de Nova York (ICE Futures US) registraram nos últimos cinco dias alta acumulada de 4,78% no vencimento julho/16, referência de mercado, saindo de 121,30 cents/lb na última sexta-feira para 127,10 cents/lb  para o dia 3. O mercado repercute as incertezas sobre a colheita no Brasil, com as recentes chuvas, mas também realiza ajustes técnicos e sente a pressão do câmbio – que impacta nas exportações da commodity.

No balanço mensal de maio, os preços do café arábica na ICE ficaram praticamente estáveis. No último dia de abril, o julho/16 fechou a 121,50 cents/lb e terminou maio a 121,55 cents/lb, uma alta de 0,04%.

A alta do mercado nesta sexta-feira foi fundamental para que as cotações tivessem expressiva valorização acumulada nesta semana. Os principais vencimentos tiveram avanço de cerca de 400 pontos e já estão próximos do patamar de US$ 1,30 por libra-peso, após ficarem ao longo da semana oscilando na casa de US$ 1,25/lb.

O vencimento julho/16 encerrou a sessão do dia 3 cotado a 127,10 cents/lb com alta de 410 pontos, o setembro/16 anotou 129,05 cents/lb com avanço de 405 pontos. O contrato dezembro/16 fechou a sessão cotado a 131,55 cents/lb e o março/16 registrou 134,20 cents/lb, ambos com 400 pontos de valorização.

De acordo com o analista da Origem Corretora, Anilton Machado, os operadores no terminal externo estão bastante atentos às condições das lavouras no Brasil, ainda assim, alguns fatores técnicos também permeiam o mercado. “As cotações nos últimos dias demonstraram resistência acima de US$ 1,20/lb e isso favorece uma reversão de tendência”, explica.

As principais regiões produtoras de café do Brasil têm recebido bons volumes de chuva nos últimos dias e isso acaba repercutindo negativamente em Nova York. “Neste momento de colheita, essas precipitações atrasam os trabalhos no campo e podem prejudicam a qualidade do café já colhido pelos produtores”, afirma Machado. A maior umidade nos grãos favorece a proliferação de microrganismos.

De acordo com o boletim diário do agrometeorologista da Somar Meteorologia, Marco Antonio dos Santos, na segunda-feira, os principais relatos de excesso de chuvas vêm cafeicultores do norte do Paraná e Sul de São Paulo. Mapas climáticos mostram que áreas de instabilidade devem continuar levando chuvas fortes sobre o Norte do Paraná, São Paulo e Sul de Minas Gerais até pelo menos a próxima quarta-feira.

De acordo com a Safras & Mercado, até dia 1º, a colheita da temporada 2016/17 estava indicada em 21%. Tomando por base a última estimativa da consultoria para a produção do Brasil, de 56,4 milhões de sacas de 60 kg, é apontado que foram colhidas 11,65 milhões de sacas.

Apesar das principais estimativas apontarem a safra brasileira em cerca de 50 milhões de sacas, analistas acreditam que o volume não será suficiente para recompor os estoques do país. “A produção deve abastecer o mercado, mas não terá excedente”, pondera Machado.

Já estimativas internacionais apontam para excedente global. A consultoria CoffeeNetwork projeta 3,8 milhões de sacas acima da demanda, ante um déficit de 0,6 milhões em 2015/16.

“À medida que a safra do Brasil 2016/17 (julho/junho) se aproxima, e com as floradas já ocorridas ao redor do mundo para as colheitas de 2016/17… a CoffeeNetwork ainda acredita que o nível de produção de 2016/17 irá superar a demanda global”, disse a empresa à Reuters.

Já a Olam International, sem dar números concretos, informou à Reuters que o déficit no mercado de café, que já dura três anos, deverá acabar neste ano.

O presidente da Companhia cita à agência que isso “irá segurar os preços no curto prazo, mas um consumo em expansão deverá sustentar as cotações em um horizonte mais longo”.

O câmbio não exerceu tanta influência no mercado nesta semana, como nos últimos dias. No entanto, nesta sexta-feira, acabou dando suporte aos preços. O dólar comercial encerrou o dia com queda de 1,74%, cotado a R$ 3,5249 na venda. A moeda estrangeira menos valorizada em relação ao real desencoraja as exportações da commodity.

Em maio, as exportações de café do Brasil totalizaram 2,17 milhões de sacas, com receita de US$ 314,6 milhões. Comparando com os embarques de abril, que foram de no mês passado uma queda de 2,69% no volume exportado e recuo de 3,35% na receita.

Mercado interno

Após dias de poucos negócios nas praças de comercialização do Brasil e os produtores mais atentos aos trabalhos de colheita, algumas transações voltaram a ser vistas com mais força no mercado físico brasileiro. “Para quem está iniciando a colheita, este é um bom momento para fazer negócios. Neste cenário, não acredito que os preços fiquem muito acima de R$ 480,00 a saca”, afirma Anilton Machado.

Em maio, com a nova safra no mercado, os preços internos dos tipos mais negociados registraram queda e os produtores ficaram reticentes em fechar negócios e preferiram esperar melhores patamares de preço.

O tipo cereja descascado teve maior valor de negociação hoje em Guaxupé (MG) com R$ 540,00 a saca e alta de 1,50%. A maior oscilação no dia foi registrada em Poços de Caldas (MG) com alta de 1,98% e saca a R$ 516,00.

Da sexta-feira passada para hoje, a cidade que registrou maior variação para o tipo foi Guaxupé (MG) com alta de R$ 17,00 (3,25%), saindo de R$ 523,00 para R$ 540,00 a saca.

O tipo 4/5 teve maior valor de negociação em Guaxupé (MG) com R$ 538,00 a saca e avanço de 1,51%. A maior oscilação dentre as praças no dia ocorreu em Poços de Caldas (MG) com valorização de 2,10% e saca a R$ 486,00.

Para o tipo, conforme o gráfico, a maior oscilação na semana foi registrada em Guaxupé (MG), que tinha saca cotada a R$ 521,00, mas subiu R$ 10,00 (3,26%) e agora vale R$ 538,00.

O tipo 6 duro registrou maior valor de negociação em Araguari (MG) com R$ 500,00 a saca, respectivamente, queda de 2,04% e alta de 4,17%. FOi a maior variação no dia.

A variação mais expressiva de preço na semana para o tipo 6 duro foi registrada em Guaxupé (MG), por lá a saca estava cotada a R$ 471,00 na sexta-feira passada, mas teve valorização de R$ 17,00 (3,61%) e agora está em R$ 488,00.

Na quinta-feira (2), o Indicador CEPEA/ESALQ do arábica tipo 6, bebida dura para melhor, teve a saca de 60 kg cotada a R$ 460,72 com alta de 0,56%.

Bolsa de Londres

A Bolsa de Londres (ICE Futures Europe), antiga Liffe, fechou a sessão desta sexta-feira com alta próxima de US$ 10. O contrato julho/16 anotou US$ 1642,00 por tonelada e alta de US$ 10, o setembro/16 teve US$ 1670,00 por tonelada com avanço de US$ 14 e o novembro/16 anotou US$ 1683,00 por tonelada com valorização de US$ 15.

Na quinta-feira (2), o Indicador CEPEA/ESALQ do café conillon tipo 6, peneira 13 acima, teve a saca de 60 kg cotada a R$ 387,94 com queda de 0,39%.

Olam vê fim de déficit global de café; aponta menos perdas no Vietnã

CINGAPURA (Reuters) – Um déficit que já dura três anos no mercado global de café deverá acabar neste ano, conforme perdas menores que as esperadas em robusta no Vietnã somam-se a uma forte produção de arábica no Brasil, previu a segunda maior fornecedora de café do mundo, Olam International.

O presidente da divisão de café da companhia listada na bolsa de Cingapura, Vivek Verma, disse que uma maior oferta global irá segurar os preços no curto prazo, mas um consumo em expansão deverá sustentar as cotações em um horizonte mais longo.

Os contratos futuros do robusta caíram após tocar máxima de nove meses em maio, enquanto os preços do arábica caíram ante pico em quase dois meses atingido no mês passado.

“Os estoques ao final do ano safra 2015/16 estão próximos a mínimas em todos os tempos”, disse Verma à Reuters. “(Mas) se o Brasil continuar a ter uma safra como a atual, o déficit nos estoques deixará de existir muito rapidamente.”

Ao mesmo tempo, chuvas recentes no Vietnã, maior produtor de robusta do mundo, melhoraram perspectivas para a colheita do país, que havia sofrido com uma severa seca em sua região cafeeira.

Verma disse que a produção de robusta no Vietnã deverá cair cerca de 5 por cento em 2016/17, ante estimativas anteriores de retração de cerca de 15 por cento.

O Brasil, maior produtor de café do mundo, cultiva principalmente arábica. Neste ano, a safra de arábica tem sido abundante e com boa qualidade, com projeções de alta de 15 por cento ante a temporada passada, que sofreu efeitos de uma seca.

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