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Em novo mandato na OIC, Robério Silva terá como foco ampliar o financiamento ao café
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Em novo mandato na OIC, Robério Silva terá como foco ampliar o financiamento ao café
por Agência Estado:
O diretor-executivo da Organização Internacional do Café (OIC), Robério Silva, que foi reconduzido ao cargo para um novo mandato de dois anos e meio, disse que vai trabalhar para ampliar as opções de financiamento do setor. O executivo quer obter novas formas de financiar o setor produtivo, já que o crescimento do consumo anual médio tem sido de 2,5%. "Sabemos que o que se produz de café vai ser comprado", afirmou. Em relação ao Brasil, diz que a aprovação de crédito para os produtores de café tende a ser mais célere após o ministro da Agricultura, Blairo Maggi, decidir recriar departamento com foco em alguns setores produtivos específicos, entre eles o cafeeiro. Em sua primeira entrevista depois que foi reconduzido ao cargo, Silva quer que a instituição, que é sediada em Londres, passe a ser um centro de referência estatística para o setor. Abaixo, os principais trechos da entrevista:
Broadcast - Amanhã é Dia Internacional do Café. O que o setor tem a comemorar? Em julho as exportações globais caíram para o menor nível dos últimos cinco anos.
Silva - O Dia Internacional do Café foi criado há dois anos para celebrar esta jornada que vem da "seed to de cup" (semente à xícara), ou seja, dos produtores aos amantes do café. O café precisava ter uma data para comemorar o que tem sido atingido. Sobre as exportações, a queda foi pontual. Temos um consumo que cresce, por ano, a uma média de 2,5%. Nos mercados tradicionais, o crescimento é na faixa de 1,5%. Este é um grande fator de estabilidade para o mercado e para a produção de café. Sabemos que o que se produz vai ser comprado. Há, portanto, motivos para celebrar sim. Faremos na sede da OIC, neste sábado à tarde, uma degustação dos cafés da América Central, com a participação de Belize, Costa Rica, República Dominicana, El Salvador, Guatemala, Honduras, Nicarágua e Panamá.
Broadcast - O ministro da Agricultura, Blairo Maggi, anunciou na semana passada a recriação de um departamento para cuidar do setor cafeeiro, o que não existe desde que o senhor deixou a Pasta. No entanto, ao contrário do que era antes, quando o departamento se dedicava exclusivamente ao setor cafeeiro, Maggi pretende um departamento que englobe outros setores, como o Departamento de Café, Cana de Açúcar e Agroenergia. O café não merecia ter novamente um departamento próprio para tratar dos assuntos do segmento dado que o País é o maior produtor mundial do grão?
Silva - Fiquei animado com a notícia. Antes, o café estava isolado. Com a recriação de um departamento para essas três áreas o café volta a ter uma identidade porque passa a haver uma concentração das decisões nesse departamento. Antes, o Funcafé estava dividido em dois departamentos do Ministério, sem uma identidade. Estive com o ministro há uns dois meses, no Brasil. Ele foi muito positivo em relação ao café e à forma com que pretende dar importância para esses setores. Vai ser possível trabalhar com o setor privado em políticas especificas para o café.
Broadcast - Quais políticas?
Silva - O financiamento ao setor, por exemplo, pode ser feito em um prazo mais rápido. Hoje a destinação dos recursos demora, em média, três meses. Vai ser mais rápido. A estimativa não posso dizer, porque isso compete ao Ministério, mas se dará com mais celeridade.
Broadcast - No Brasil a prolongada estiagem que afetou a produção de café robusta se refletiu em demissão nos setores de transporte, processamento e produção. O que esperar para o mercado de robusta?
Silva - É um fenômeno que aconteceu este ano. É preocupante para o abastecimento interno do Brasil, mas a indústria é vibrante e os produtores de café também. Vamos ter recuperação rápida, já em 2017/2018, com melhoria da produção.
Broadcast - Nos últimos anos consumidores brasileiros passaram a adquirir cafés especiais para máquinas caseiras de espresso. Muitos fabricantes, inclusive, querem aderir à nova onda e buscam embalagens para também poder oferecer seus produtos dessa forma. O senhor acredita que essa tendência veio para ficar ou se trata apenas uma "moda"? O Brasil segue um movimento internacional nesse sentido?
Silva - Isso não chega a ser uma novidade. Assisto a esse fenômeno em todos países que visito. Os consumidores estão procurando ter este prazer dentro de casa e essas máquinas são realmente uma comodidade a mais. Além disso, evita desperdício, o que chamamos de café na pia, quando se consome mais café porque se joga fora. As monodoses vieram para ficar.
Broadcast - A notícia de que o senhor foi reconduzido ao cargo de diretor-executivo da Organização Internacional do Café (OIC) para mais dois anos e meio circula pelo Brasil, apesar de ainda não ser oficial. Apesar de seu nome ser um consenso no setor, a possibilidade de o senhor não ser reconduzido chegou a ser cogitada por causa de um dívida do Brasil de R$ 1,5 milhão com a OIC. Em agosto, essa dívida foi honrada.
Silva - Já está confirmado: permaneço à frente da OIC até 31 de março de 2019.
Broadcast - Quais são seus planos para o segundo mandato?
Silva - Como objetivo tenho a busca por novos fundings. Tínhamos uma área de projetos muito forte para desenvolver os países produtores e o principal parceiro era o fundo comum para produtos básicos, que mudou a forma de aprovação de projetos. Temos que buscar fontes alternativas para financiamento de projetos. Fundações privadas, bancos em desenvolvimento... Há o African Coffee Facility - um fundo especial para a África em conjunto com o banco africano de desenvolvimento. Queremos replicar essa experiência para pequenos países da América Latina e da Ásia. Outra coisa que quero desenvolver são estatísticas para o setor. Quero a OIC como a fonte principal do setor cafeeiro. Quero replicar aqui a experiência do observatório de café da Embrapa, que tem dados sobre o setor cafeeiro no Brasil.
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