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Não daremos a questão como encerrada, diz CNA, sobre café peruano

por Estadão Conteúdo:

Os produtores brasileiros de café afirmaram que vão continuar a acompanhar os próximos passos do governo brasileiro, mesmo depois da decisão publicada nesta quinta-feira, 21, no Diário Oficial da União (DOU) de suspensão das importações de grãos verdes do Peru. A liberação tinha ocorrido no fim de abril e provocou indignação entre as lideranças da cafeicultura, porque sinalizava que o País não teria oferta de café para honrar a demanda, em plena época de colheita, e ainda pressionaria as cotações.

“Não podemos dar a questão como encerrada. Continuaremos acompanhando os desdobramentos, realizando novos estudos técnicos e participando ativamente para evitar que haja nova liberação”, afirmou o presidente da Comissão de Cafeicultura, Breno Mesquita, da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), também diretor da Comissão de Cafeicultura da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Minas Gerais (Faemg).

Mesquita observou que o texto publicado hoje no Diário Oficial da União (DOU) fala na suspensão do produto peruano até que a Organização Nacional de Proteção Fitossanitária do Peru (ONPF) apresente um plano de trabalho, que seja aprovado pela Defesa Sanitária brasileira, contendo informações sobre a produção, pragas presentes e tratamentos fitossanitários utilizados, bem como medidas de mitigação de risco de envio de pragas no comércio internacional de café. De toda forma, Mesquita comentou que a decisão de hoje foi fruto de um trabalho de todos os elos da cadeia produtiva da commodity.

“Estivemos em diálogo constante com o ministério e apresentamos um estudo técnico, elaborado pela CNA, com a argumentação científica dos riscos fitossanitários à produção nacional, além do ponto de vista do impacto econômico e social. Era indispensável que a liberação fosse suspensa e os critérios sanitários fossem revistos antes que se concretizasse uma primeira remessa, independentemente de volume”, explicou.

Ontem, deputados de Minas Gerais também sinalizaram que eram contra a importação do produto peruano e que iriam sugerir ao governo a suspensão das compras. “Perto de 50% da produção nacional da commodity é de Minas Gerais. A entrada de cerca de 2 milhões de sacas por ano influenciará no preço do nosso produto”, disse o deputado estadual Emidinho Madeira (PT do B), vice-presidente da Comissão de Política Agropecuária e Agroindustrial do legislativo mineiro.

 

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