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Retrospectiva : Café teve ano positivo para produtor , e Dólar foi destaque

por Agência Safras:

O dólar foi o elemento de destaque no ano no mercado internacional e brasileiro de café. Enquanto a Bolsa de Nova York para o café arábica se deteriorava, o dólar avançou forte e fez o contrabalanço positivo para as cotações no mercado físico interno.

O arábica em NY acumulou perdas no ano de 29% até esta última quarta-feira (23). O dólar, no mesmo período, somou ganhos de 49%. “A valorização externa junto à tensão política e econômica interna explicam a disparada da moeda estrangeira frente ao real”, destaca o analista de SAFRAS  & Mercado, Gil Barabach. O dólar começou o ano cotado a R$ 2,66 e vai terminando 2015 em torno de R$ 3,97, atingindo pico no período de R$ 4,249.

“Lógico que esse movimento cambial abriu várias janelas de oportunidades para o vendedor, além de garantir preços mais firmes para o café na média do ano”, observou. No sul de Minas Gerais, por exemplo, o arábica duro com 15% de catação saiu de R$ 440 para terminar 2015 cotado a R$ 500 a saca de 60 kg. Alta de 14%, apesar do tombo na ICE.

Barabach comenta que o ano de 2015 também foi marcado por instabilidadesclimáticas, com excesso de chuva em alguns momentos e falta de umidade em outros. “O resultado foi outra safra brasileira abaixo do potencial produtivo

e uma temporada com déficit na oferta global. Problemas na granação levaram a uma safra mais miúda, o que tornou mais raro as peneiras mais graúdas. Por isso, o Fine Cup no FOB exportação passou a ser negociado com prêmio (ágio

sobre a cotação na ICE) e as bases de venda no porto ficaram mais firmes”, indicou o analista.

Em relação ao conilon, a quebra na safra de capixaba, junto a fortes exportações desses cafés, fizeram o preço subir bastante, ficando, inclusive, mais caro que o arábica de bebida mais fraca. “Muitas indústrias alteraram os seus blends, privilegiando a participação dos arábicas mais fracos. E isso ajudou na valorização desses cafés, especialmente a bebida

rio. Bom para o produtor”, descreveu Barabach.

Para o analista, 2015 foi um ano de grande volatilidade nos preços, devido às incertezas financeiras e produtivas, com oferta mais curta e negociações compassadas. “E, no final, o saldo foi positivo para o produtor”, fez o

balanço o analista.

Perspectiva 2016

O determinante para o mercado de café em 2016 é o tamanho da próxima safra brasileira. É grande a expectativa que o Brasil produza mais em 2016 do que produziu em 2015, especialmente de arábica, avalia Gil Barabach. Caso se

confirme essa expectativa, isso vai permitir uma recuperação nos níveis de estoques e trazer mais tranquilidade ao abastecimento global, estima.

“Atenção aos primeiros meses de 2016. A oferta curta no ciclo 2015/16 e o elevado fluxo de vendas do Brasil na primeira metade da temporada deve reduzir a oferta nos primeiros meses de 2016. E a escassez interna tende a

favorecer os diferenciais no FOB exportação e facilitar o descolamento positivo dos preços em relação a ICE. E isso pode abrir janelas de venda no disponível”, recomenda o analista.

De acordo com o analista, o movimento de alta do dólar emite alguns sinais de exaustão. A questão cambial deve continuar muito atrelada ao palco político e ao desenrolar do ajuste fiscal. Mas, o dólar, claramente, mostra

dificuldade de ir muito além dos R$ 4,00, acredita. “Isso não quer dizer que vai subir mais, mas, talvez, o avanço, se ocorrer, tende a ser bem menos intenso se comparado a 2015″, pondera.

Por outro lado, se a situação política melhorar e a economia der alguns sinais positivos, há boas chances de correção, adverte o analista. E, nesse caso, o espaço para queda seria mais amplo, principalmente em um primeiro

momento. “Então, cuidado com as apostas no dólar”, comenta.

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