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Semana de mercado em baixa

por Carvalhaes:

Pressionado pela expressiva desvalorização do real frente ao dólar, os contratos de café com vencimento em dezembro próximo na ICE Futures US acumularam queda de 265 pontos na semana. Fecharam em baixa todos os dias, à exceção de quinta-feira, quando fecharam em forte alta.

Os mercados financeiros vêm pressionando a cotação do real nas últimas semanas, e mais ainda nos últimos dias, como reflexo do aumento da preocupação com a demora na aprovação da reforma da Previdência e também com a expectativa de mudanças na política de juros dos EUA. Na quinta-feira o presidente Donald Trump indicou Jerome Powell como novo diretor do Federal Reserve, o banco central americano. Essa indicação sinalizou para os mercados que “nada muda” na política de juros americana.

As bolsas reagiram imediatamente ao anúncio do novo nome para o FED e na ICE em Nova Iorque, a expectativa de reversão da pressão do dólar sobre as moedas dos países emergentes fez os contratos de café subirem forte, fechando a quinta-feira, feriado no Brasil, com ganhos de 345 pontos nos contratos com vencimento em dezembro próximo.

Na sexta-feira, quando os mercados abriram no Brasil, o dólar continuou sua trajetória de alta, não recuando frente ao real. Aparentemente as questões locais, demora na reforma da Previdência e crise política, acabaram se sobrepondo à notícia da continuidade da política monetária atual nos EUA. Na ICE, os operadores derrubaram novamente as cotações, destruindo boa parte dos ganhos de ontem.

Prejudicado pelas baixas em Nova Iorque e pelo feriado nacional de quinta-feira, o mercado físico brasileiro não apresentou volume alto de negócios realizados. Como sempre, os produtores vendem para fazer frente aos compromissos mais próximos. Quem pode adia as vendas.

Os cafeicultores brasileiros mostram desânimo com os preços baixos praticados no mercado. Investem bastante em qualidade e certificações, como ficou claro na SIC – Semana Internacional do Café, realizada em Belo Horizonte, de 25 a 27 de outubro de 2017, mas não conseguem retorno para o investimento e dedicação necessários na produção de cafés de qualidade.

Como já afirmamos inúmeras vezes, precisamos pensar em uma nova política para o café brasileiro. Não podemos continuar ignorando que as tecnologias de informação e comunicação mudam com velocidade espantosa, dando enorme força aos grandes fundos que operam em Nova Iorque. Através dos algoritmos, a inteligência artificial já foi incorporada aos programas utilizados nas bolsas de futuro.

Até dia 1, os embarques de outubro estavam em 2.223.928 sacas de café arábica, 15.406 sacas de café conilon, mais 179.816 sacas de café solúvel, totalizando 2.419.150 sacas embarcadas, contra 2.086.301 sacas no mesmo dia de setembro. Até o mesmo dia 1, os pedidos de emissão de certificados de origem para embarque em outubro totalizavam 2.982.895 sacas, contra 2.431.648 sacas no mesmo dia do mês anterior.

A bolsa de Nova Iorque – ICE, do fechamento do dia 27, sexta-feira, até o fechamento de  sexta-feira, dia 3, caiu nos contratos para entrega em dezembro próximo 265 pontos ou US$ 3,51 (R$ 11,60) por saca. Em reais, as cotações para entrega em dezembro próximo na ICE fecharam no dia 27 a R$ 544,94 por saca, e dia 3, a R$ 541,89 por saca. Na sexta-feira, dia 3, nos contratos para entrega em dezembro a bolsa de Nova Iorque fechou com baixa de 245 pontos.

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