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Uganda volta à lista dos 10 maiores produtores de café do mundo

por CaféPoint:

Há cinco anos, Uganda deixou a lista dos dez maiores países produtores de café do mundo. Entretanto, de acordo com estatísticas da Organização Internacional de Café (OIC), o país voltou em 2014/2015 para a sétima posição após exportar 2,24 milhões de sacas de 60 quilos e no processo de passar a Etiópia e se tornar o maior exportador de café da África. Entretanto, embora o país ainda esteja bem atrás do Brasil, com 27,3 milhões de sacas, a Uganda ainda tem a chance de se tornar um dos cinco maiores nos próximos anos, quando grandes projetos visando aumentar a produção começarem a dar resultados.

De acordo com a Autoridade de Desenvolvimento de Café de Uganda (UCDA), o futuro parece muito bom para o país. De fato, de acordo com o último relatório da UCDA, os produtores de café têm a chance de fazer dinheiro com suas fazendas de café. Cerca de 17 milhões de novos cafezais foram plantados somente em 2013 e esse dado pode aumentar para 225 milhões em cinco anos. Considerando os preços que o café tem recebido, muitos membros do setor sabem que o café ainda é uma ferramenta muito importante na luta contra a pobreza.

A Agência dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional (USAID) lançou um projeto de dois anos com o objetivo de aumentar a produtividade do café para 20.000 pequenos produtores em 22 distritos produtores. No começo de abril, por exemplo, a Uganda obteve 1,3 bilhão de xelim (US$ 357.477) através da iniciativa financiada pela USAID que visa aumentar a produção de café do país. O dinheiro foi distribuído através da Feed the Future Initiative do governo dos Estados Unidos e implementado pela União Nacional de Agronegócios do Café e Empresas Rurais (Nucafe).

Embora ainda seja cedo para determinar o impacto do financiamento, a produção de café deverá aumentar em meio ao declínio da produção global e aumento dos níveis de consumo globalmente.

De acordo com o relatório da UCDA de junho de 2015, cerca de 335.400 sacas de café no valor de US$ 35,26 milhões foram exportadas pela Uganda a um preço médio de US$ 1,75 por quilo, que é 26,75% e 7,43% mais em volume e em valor, respectivamente, comparado com o mesmo mês de 2014. Entretanto, a UCDA projetou que as exportações de julho seriam menores, em cerca de 300.000 sacas.

No ano safra que terminou em junho de 2015, a produção global total foi estimada em 141,9 milhões de sacas, 3,3% a menos que em 2013/2014, embora o consumo total tenha sido de cerca de 150 milhões de sacas, um aumento de 2,3% com relação ao ano anterior. Isso significa que os produtores de café da Uganda precisam aproveitar o aumento da demanda global e o declínio da produção nos gigantes tradicionais produtores para obterem lucro.

De fato, apesar de a queda oscilante nas exportações de café como resultado da seca, as projeções da UCDA indicam que as exportações de café podem aumentar para 5,87 milhões de sacas em 2019/2020. As projeções da UCDA são baseadas no programa massivo de replantio que começou após a traqueomicose do café e a broca de café terem atacado os cafezais da Uganda.

A Ugacof ainda comanda a maior parte do mercado, com 16,3% (54.667 sacas), mas seus volumes de exportação também declinaram dos 18% do mês anterior. O gerente geral da Ugacof, Kailash Natani, disse que embora o consumo local de café tenha crescido, sua maior preocupação não é a competição de produtos importados, mas o mercado de exportação. Ele atribuiu a queda nas exportações aos efeitos da mudança climática, manejos ruins da colheita e questões de logística.

Para suplementar os esforços do governo na produção de café, os membros da indústria de café estão se engajando com os produtores. A Ugacof lançou um projeto de sustentabilidade de café que cobre vários distritos em Busoga e na região central, cobrindo mais de 30.000 produtores.

O diretor operacional da Ugacof, Micheal Nuwagaba, disse que o projeto de três anos distribui materiais de plantio, sensibiliza os produtores na formação de associações de poupança e empréstimos para facilitar o acesso a créditos, manejo pós-colheita, boas práticas agrícolas, entre outros.

O ministro da Agricultura, Vincent Bamulangaki Ssempijja, disse que a Uganda tem capacidade de produzir mais café que o Vietnã, o segundo maior produtor do mundo, considerando que o café da Uganda “tem um mercado pronto devido ao seu café de alta qualidade e usado para blending”. O governo visa impulsionar as exportações de café mitigando as restrições no lado da oferta distribuindo mudas gratuitas e reestabelecendo uma equipe de extensão para alcançar os produtores mais remotos e estabelecer um modelo de fazendas de demonstração e cooperativas de café apoiando a agregação de valor.

Entretanto, o ex-ministro das Finanças, Gerald Sendaula, e atual presidente da Nucafe ainda não está convencido. Ele disse que a indústria de café de Uganda tem muitos desafios, desde a ignorância dos produtores até problemas na colheita, que pode somente ser resolvida através de legislação, que a Uganda não tem no momento. “Sem uma lei do café em execução para melhorar a qualidade do café, pode passar por períodos ruins”.

A Uganda continua exportando grãos de café crus apesar de o consumo local estar crescendo com agregação de valor também lentamente começando a criar raízes através de investimentos de companhias locais que incluem Good African Coffee, Mount Elgon Coffee,e Star Café, entre outras.

A reportagem é do http://allafrica.com / Tradução por Juliana Santin

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